O ruído de tantas línguas faladas ao mesmo tempo dentro do ônibus criou uma atmosfera que levou-me a uma espécie de lugar impossivelmente estrangeiro onde eu não tinha chance de entender o que eram aquelas conversas. O frio, a noite escura e a condensação das janelas conspiraram para esconder o mundo exterior, imergindo-me ainda mais em apenas meus pensamentos e os sons musicais dessa linguagem cosmopolita. Eventualmente, começei a reconhecer algumas palavras e algumas línguas que parecia mais familiares, mas quase não ouvi qualquer inglês além de um par de palavras, misturadas com os sons desconhecidos.

Eventualmente me lembrei da minha localização pelo anúncio automático, feito em inglês, de abertura e fechamento de portas. Só este som e que me trazia momentaneamente de volta a minha viagem para casa.

Esse som de tantas linguas misturadas me fez lembrar das minhas experiências de infância de procissões de ruas, onde a aglomeração de pessoas tentando dizer a oração ao mesmo tempo, uns mais altos do que outros, como se eles seriam ouvidos por Deus em primeiro lugar. Tudo isto misturado com a conversa paralela ocasional das pessoas fingindo ser parte da Comunidade por estarem caminhando com a procissão — mais o barulho normal deotráfego do cidade. Uma estranha sinfonia desse ritual foi gravada na minha memoria.

No áudio foi incluido uma variedade de orações em várias linguas mixturado com os sons da jornada de ônibus para emular o aspecto religioso da minha experiência anterior deste ritual.